Rótulos, Estereótipos e Preconceitos (post não muito extenso)


ró·tu·lo 

(latim rotulus, -i, pequena roda)

substantivo masculino
1. Impresso que identifica o conteúdo, as características ou a composição de um produto ou outras 
informações complementares. = DÍSTICO, ETIQUETA, LETREIRO
2. [Encadernação]  Dístico na lombada dos livros.
3. Designação ou característica definidora, geralmente de carácter redutor, atribuída a algo ou alguém.
4. Ralo ou pequena grade em portas, janelas, etc.
5. [Antigo]  Pergaminho em que se escrevia.



es·te·re·ó·ti·po 

(estereo- + -tipo)

substantivo masculino

1. [Artes gráficas]  Chapa obtida pela fusão de chumbo numa matriz ou numa impressão. = CLICHÉ

2. Trabalho feito com essa chapa.

3. Ideia, conceito ou modelo que se estabelece como padrão.

4. Ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial. = PRECONCEITO

5. Coisa que não é original e se limita a seguir modelos conhecidos. = LUGAR-COMUM

6. [Patologia]  Comportamento ou discurso caracterizado pela repetição automática de um modelo anterior, 
anónimo ou impessoal, e desprovidas de originalidade e da adaptação à situação presente. = ESTEREOTIPIA


pre·con·cei·to 

(pre- + conceito)

substantivo masculino

1. Ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial.

2. Opinião desfavorável que não é baseada em dados objectivos. = INTOLERÂNCIA

3. Estado de abusão, de cegueira moral.

4. Superstição.



Já rotulei. Já estereotipei. Já fui preconceituosa (na adolescência) . E não na comercialização de produtos para venda ao público; foi  mesmo no "apontar o dedo" a determinada pessoa, à sua cor de pele, à sua religião...
E sofri na pele com isso, pois o karma é lixado e, tarde ou cedo, levamos com ele em cima. Ele existe para nos abrir os olhos para o que tudo o que fizermos ou dissermos (a nós mesmos e aos outros) mesmo que, naquela fracção de segundos, exista apenas uma réstia rotulada/estereotipada/preconceituosa de uma frase ou pensamento. Ele lixa-nos. Seja em que altura for. Sejamos mais novos ou mais velhos. Mais sabichões ou mais sábios. Lixa-nos. Ponto. 

Sempre fui magra. Sempre fui branca "como a cal da parede". Católica não praticante. Actualmente casada com o homem dos meus sonhos há 11 anos de quem espero ter filhos (esperamos vir a ter em breve). Rotulada de tanta coisa - estereotipada de sei-lá-o-quê - preconceitos de quem não nos conhece de facto (ou individualmente)...  Tenho estado a pagar pelo meu karma introspectivo (até quando não sei, mas acreditem que não é fácil) . 


Por isso (e a minha opinião vale o que vale) acredito que o único rótulo que deve permanecer é o amor, o respeito e a compreensão. Por nós próprios e pelos outros, seja pela sua cor de pele, seja pela sua religião, seja pelo que for.  Independentemente da educação familiar que tivermos. Mesmo que o nosso ADN nos diga que fomos formatados para sermos de determinada forma, e comportarmo-nos de determinada maneira. Se não for isso que SOMOS realmente, lutemos para que sejamos quem queremos ser. Independentemente dos rótulos que nos ponham. 

Por isso, UBUNTU* 


De quem já não é estereotipada e preconceituosa 
(apesar de rotulada)
Nélia Correia 


* UBUNTU 

Post em jeito de desabafo

Tenho dias em que me apetece mandar tudo às urtigas.
Tenho dias em que só tenho vontade de mandar alguém à merda.
Tenho dias em que tenho a certeza absoluta de que o ando a fazer neste planeta chamado Terra é, nada mais nada menos, a ponta de um chavelho.

Mas logo a seguir 
tenho a minha consciência
 a dizer-me 
que sou parva
 por pensar daquela forma.
Que se tiver de mandar tudo às urtigas, 
e for essa a minha vontade,
fá-lo-ei.

Se tiver de ser mais brusca com alguém 
que está a armar-se em carapau de corrida ,
responderei à letra.

A paciência tem limites. 
E a minha está a esgotar-se.

  

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